domingo, 19 de agosto de 2012

Aspargo – Aspargos

 

Aspargo

O gênero Aspargus tem mais de uma centena de espécies espalhadas pelo mundo, nas regiões temperadas e tropicais, todas elas perenes e em geral, cultivadas para fins ornamentais.

O aspargo utilizado como hortaliça, classificado botanicamente como Asparagus officinalis, L., originário da Europa, onde tem sido cultivado há mais de 2.000 anos, tanto para fins alimentares, como medicinais. Ë planta dióica, isto é, existem plantas masculinas e plantas femininas. As flores das plantas femininas recebem o pólem das flores das plantas masculinas, por meio de insetos. O fruto é uma baga, carnosa e vermelha, quando maduro. Cada baga contém três a quatro sementes, angulosas e pretas.

As raízes são numerosas, carnosas, desenvolvem-se horizontalmente e constituem órgãos de reserva de alimentos. Nascem do rizoma e a esse conjunto dá-se o nome de “garra” ou “aranha”. As raízes novas, que se formam anualmente, nascem acima das velhas, que morrem quando as mais novas estão bem desenvolvidas.

A “garra” ou “aranha”, com um a dois anos de idade é a muda do aspargo.

A parte aérea que nasce de botões existentes no rizoma, é constituída por várias hastes com pequeninas folhas.

Numa plantação, os primeiros brotos ou “turriões” da parte aérea são utilizados como alimento; os demais devem ser deixados para crescer e formar novas reservas nas raízes.

As hortaliças, em geral, são plantas de rápido crescimento, produzindo em poucos meses com exceção do aspargo, que demora cerca de três anos para iniciar a colheita, a contar da data da sementeira.

Esse período poderia ser reduzido para dois anos, se existissem à venda mudas ou “garras” de boas variedades, de um ano. Como isso, o lavrador precisa, quase sempre, fazer sua própria sementeira.

Deve ser considerado, entretanto, que o aspargo é planta perene, o que não acontece com as outras hortaliças.

O período de tempo de produtividade de um aspargo depende de muitos fatores, como sejam:

  • Variedade
  • Condições de solo
  • De clima
  • Adubação
  • Tratos culturais

Tal período pode variar de seis a quinze anos. É geralmente menor nos solos de fraca fertilidade, e maior nos solos mais pesados e ricos. O encharcamento do solo reduz o período de produtividade.

Após o término da cultura do aspargo, deve-se proceder ao arrancamento das plantas, por meio de sulcadores. Muitas raízes permanecerão ainda vivas; várias arações facilitarão a sua morte.

Não plantar aspargo novamente no mesmo local, pois isso conduzirá à redução apreciável na produtividade.

Deve-se fazer rotação de cultura plantando-se, após o aspargo, cereais, adubos verdes ou outras hortaliças.

Voltar com aspargo somente depois de sete a Oito anos.

O cultivo do aspargo é objeto de importante atividade agrícola em muitos países de clima temperado. No Brasil, é pouco cultivado, devido às suas exigências em relação a clima, solo, colheita, conservação e tratos culturais.

Os estados sulinos são os que se prestam a essa cultura, situando-se as maiores plantações no Rio Grande do Sul.

Em São Paulo, apresentam melhores condições para o cultivo do aspargo as regiões mais frescas, como Campos do Jordão, São Roque, Vargem Grande, Piedade, São Miguel Arcanjo, Capão Bonito, a Capital e vizinhanças, Águas da Prata, Socorro, etc., desde que se faça a correção da acidez do solo, quando necessário, a adubação completa, além de outros tratos culturais.

O aspargo é planta dióica, isto é, apresenta plantas masculinas produzem flores estamidas e plantas femininas, que somente produzem flores pistiladas e são as que dão frutos.

Quando se faz a sementeira de aspargo, a probabilidade de uma planta masculina ou feminina é a mesma, ou seja, 1:1. É fato confirmado que as plantas masculinas produzem maior número de turriões do que as femininas, especialmente no início da colheita. Também na produção total, em peso, as plantas masculinas superam em ce de 20% as femininas, mas estas formam turriões mais grossos. Estudos efetuados nos Estados Unidos, concluem que, economicamente, não é vantajoso eliminar as plantas femininas que constituem, praticamente, metade das plantas obtidas na sementeira.

Variedades

Existem poucas variedades de aspargo que se assemelham pelo aspecto da planta. Por possuírem as plantas sexo separado, é comum o cruzamento, dando origem à mistura de linhagens.

Algumas linhagens e variedades distinguem-se pela produtividade e resistência à “ferrugem”, moléstia de fungo que ataca as hastes e folhas do aspargo.

Assim, a variedade Mary Washington, obtida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a mais cultivada na Califórnia, é resistente à ferrugem. Em outras regiões daquele país, é cultivada a variedade Martha Washington, entre outras.

Entre nós, as variedades mais conhecidas são: Giant Washington; washington; Palmetto; Marta Washington e Mary Washington, todas resistente à ferrugem.

Plantio

Produção de sementes

O aspargo é multiplicado por meio de suas sementes e, para que haja produção delas, é necessário que existam plantas femininas e masculinas sendo estas as polinizadoras.

A colheita dos frutos maduros, no Estado São Paulo, é feita desde princípios de dezembro até fins de maio, especialmente de dezembro a março. A quantidade de sementes produzida por planta é variável de acordo com clima, idade da planta, variedade, sol adubação e tratos culturais.

Os frutos de aspargo devem ser colhidos bem maduros, quando apresentam coloração vermelho-escuro. As sementes, geralmente três a quatro por fruto, são facilmente retiradas, espremendo-se levemente em uma peneira. Em seguida, devem ser lavadas em água corrente e seca à sombra.

Elas são pretas e sua secção transversal é triangular. Em condições de ambiente fresco e ventilado, o poder germinativo de semente recém-colhida, viável, é conservado acima de 95% nos primeiros meses após a colheita. Um ano mais tarde, decresce para cerca de 85%. Nas sementes com dois anos de idade, a germinação atinge de 60 a 70% e, com três anos, o poder germinativo, geralmente, é menor do que 40%. O poder germinativo foi determinado em germinador à temperatura ambiente.

Para renovar a cultura, deve-se adquirir sementes de boa procedência e selecionar as plantas que irão produzir sementes para uso no futuro, desde o canteiro de semeadura. Para isso, deve-se marcar, no canteiro, as plantas com ramos mais altos, pois há estreita relação entre esse maior desenvolvimento e a boa formação, bem fechada, da ponta do turião. Quando a planta estiver com três a cinco anos, deve ser julgada pelo desenvolvimento da “coroa”, ou seja, a área em que se formam as hastes. A planta com maior coroa é a que produz turriões em maior número. Outra indicação da melhor planta é obtida pelo número e pelo tamanho das hastes. Escolhem-se aquelas que apresentam maior número e maiores hastes. Prefiram ainda, aquelas cuja haste seja lisa, com a secção transversal o mais próximo possível da circular.

Além desses fatores, cumpre ao lavrador não esquecer que, para produzir suas próprias sementes melhoradas, deve escolher plantas com aspecto saudável.

Semeadura

O terreno para a sementeira deve ser cavado até 0,30 m de profundidade. Construir depois canteiros com cerca de 0,10m de altura e 1,20m de largura. Espalhar sobre eles, por metro quadrado, 30 quilos de esterco curtido de curral ou composto, mais 1kg de adubo químico 10-10-10. Misturar esses adubos ao solo destorroado até ficar pulverizado.

A semeadura de aspargo é feita de setembro a novembro, a grande espaçamento, ou seja, em sulcos espaçados de 0,60 m, e no sentido da largura do canteiro. Nesses sulcos, são colocadas as sementes, separadas de 4 a 5cm, se possuem poder germinativo acima de 80%; e à profundidade de 3 a 4cm, conforme a terra mais ou menos consistente. Assim cada metro quadrado de canteiro comporta quase um grama de semente, que produzirá cerca de 20 mudas boas. Para um hectare, (10.000m2) com capacidade de 12.500 plantas, serão necessárias 625 gramas de sementes e, portanto, 625 m2 de canteiro.

É difícil desbastar o aspargo, bem como separar as mudas sem feri-las, quando as plantas estão muito próximas. Por isso é preciso conhecer previamente o poder germinativo das sementes, pois as plantas têm seu crescimento prejudicado quando ficam muito juntas no canteiro, além de dificultar o arrancamento e a separação das mudas.

As sementes devem proceder de empresas idôneas ou, então ser colhidas pelo próprio lavrador, como explicado no capítulo referente à colheita de sementes.

A germinação do aspargo é demorada, variando conforme a temperatura seja mais ou menos elevada. A 10ºC leva 53 dias para germinar, e a 25ºC, 10 dias. A germinação é boa entre as temperaturas de 15 a 30ºC; não germina de 5ºC abaixo, nem acima de 40ºC.

Logo após a semeadura, irrigar o canteiro e fazer uma pulverização com inseticida no solo. Cobrir, então, a terra, com capim seco e sem sementes, formando uma camada de três centímetros de altura. Quando não chover, regar de manhã e à tarde, até o início da germinação, espaçando-se, daí em diante, as regas que serão feitas à medida das necessidades. Ao começar a germinação, retirar todo o capim e fazer nova pulverização. Este inseticida, de utilidade para combater as pragas comuns nas sementeiras, é venenoso ao homem, devendo ser usado com precauções.

Cerca de 30 dias depois da germinação, faz-se o desbaste, deixando-se, de preferência, as plantas mais vigorosas, distanciadas uma das outras 7 a 8cm.

Rega-se e limpa-se capinado sem ferir as raízes, sempre que necessário.

Fazer irrigações a intervalos variáveis de acordo com o solo e as condições atmosféricas, lembrando que é preciso manter com bom grau de umidade a camada superficial do solo até a germinação e durante o período inicial do crescimento.

Nos Estados Unidos, recomendam o uso de herbicidas do pré-emergência, isto é, pulverizados sobre o mato alguns dias antes da germinação do aspargo.

Óleos leves ou “standart solvent”, entre outros, são usados como herbicidas.

O Varsol, da Standart Oil, solvente de uso caseiro, pode ser empregado em pulverizações sobre o mato até quatro a cinco dias antes do nascimento do aspargo e na quantidade de 40 a 80 cm3/m2.

A aproximação do inverno, quando as plantas começam a amarelar, cortam-se os talos à altura de cinco centímetros do solo, queimam-se esses restos e deixa-se, sem mais cuidados, que as plantas fiquem em repouso.

Plantio

O plantio de um adubo verde em outubro-novembro do ano precedente ao da plantação do aspargo, contribui para diminuir o mato e melhorar o solo em matéria orgânica e na sua constituição física e biológica. Entre as leguminosas-adubos verdes, recomendam-se Mucuna preta, Crotalária paulina, Crotalária juncea e feijão de porco, que serão enterrados quando florescerem, ainda tenros. Antes de marcar o terreno para a abertura das valetas de plantação efetuam-se duas a três arações espaçadas 15 a 20 dias, gradeando-se após cada aração.

Quando a irrigação é feita por infiltração, há necessidade de marcar as linhas de plantio, com leve declive, variando de 0,15 a 0,30%. O maior declive será usado em solos mais soltos, e o menor, naqueles mais firmes.

O espaçamento entre as valetas de plantação depende do tipo de turião que se vai colher, isto é, branco ou verde. Se for branco, o mais comum em nosso meio, a distância entre as valetas deve ser suficiente para que haja terra necessária para formar as leiras, sem ser preciso cavar fundo entre eles, o que ocasiona o corte e ferimento das raízes, Os melhores espaçamentos estão entre 1,90 e 2,10m.

Quando só turriões verdes são colhidos, a distância pode ser reduzida para a metade, pois não se faz leiras, observando que não existem dados que indiquem o melhor espaçamento entre valetas.

O espaçamento entre as plantas na valeta deve ser de 0,40 m; a profundidade da valeta de plantação, de 0,30 a 0,40 m; e a largura de 0,40 m; maior profundidade, em terra mais solta. Nunca plantar no subsolo.

Para a abertura da valeta, um sulco prévio feito com sulcador facilitará bastante essa operação. Ao completar manualmente a abertura da valeta, colocar terra do solo de um lado da valeta e a do subsolo do outro. Utilizar a terra do solo para misturá-la aos adubos e para a cobertura das mudas após a plantação.

Como o aspargo é planta pouco tolerante à acidez do solo e os nossos solos são geralmente ácidos, deve ser feita sua análise química, determinando-se o pH, a fim de se calcular a quantidade necessária de calcário a ser incorporado ao solo.

Clima e Solo

Para que haja boa produção, o solo deve ser fértil, profundo, com boa capacidade de retenção de umidade, sílco-argiloso e friável para que os turriões não se entortem ao atravessá-lo. Os terrenos sujeitos a encharcamento são inteiramente contra-indicados para essa cultura. As colheitas mais precoces são obtidas nos solos que se aquecem depressa pela ação dos raios solares.

O aspargo é planta ligeiramente tolerante à acidez do solo e são desejáveis, para seu melhor crescimento e produção, aqueles cujo pH varia de 6.0 a 6.8.

Nativo de regiões temperadas, só se adapta nas zonas onde prevalecem temperaturas baixas durante um período do ano, quando a planta entra em dormência. Após esse repouso, faz-se a colheita dos turriões.

Durante a vegetação imediatamente posterior à colheita dos turriões, a planta armazena, na raiz, reservas alimentares que influirão na produtividade dos anos seguintes. Sem tais períodos, a planta não se desenvolve devidamente, e os turriões se tornam menos vigorosos e mais finos, cada ano. São recomendáveis regiões com temperaturas médias de 15,5 a 24ºC, durante a época de vegetação, e um período frio para dormência no inverno.

Essa planta não deve ser cultivada onde as condições de clima sejam propícias à vegetação o ano todo, porque as reservas alimentares não se acumulam e são gastas na produção de novas hastes.

Tratos culturais

Adubação

Como o aspargo é planta pouco tolerante à acidez do solo e os nossos solos são geralmente ácidos, deve ser feita sua análise química, determinando-se o pH, a fim de se calcular a quantidade necessária de calcário a ser incorporado ao solo.

A distribuição do calcário deve ser feita a lanço e pelo menos três meses antes da abertura das valetas.

Para se formular a adubação da valeta há necessidade de preencher um questionário fornecendo o histórico do solo e o resultado da análise de amostra de terra bem coletada.

De modo geral, para terras de media fertilidade, fazer a seguinte adubação por metro linear: 40kg de esterco curtido de curral e 200gramas de adubo químico 10-10-10. Colocar no fundo da valeta uma camada de cerca de 1Ocm de solo que recebeu calagem, apos mistura-se os adubos acima indicados de 10 a 15 dias antes do plantio das mudas ou garras.

O esterco curtido de curral poderá ser substituído por curtido de boa qualidade, em idêntica quantidade, pela torta de mamona previamente fermentada ou então aplicada com um mês de antecedência de plantação, a fim de ter tempo de se decompor, e em quantidade equivalente a um décimo do peso recomendado para o esterco. Poderá, ainda, ser substituído pelo esterco de galinha fermentado, dose correspondente a um terço ou, mesmo, um quarto, para o esterco de curral dependendo da sua pureza.

Anualmente, após a colheita, incorporar ao solo, por m2, 5kg de esterco curtido de curral ou composto “curtido”.

Para melhorar o solo, semear, anualmente em meados de abril fileiras de ervilhaca entre as valetas com aspargo; espaçadas de entre fileiras, e a 0,20m entre plantas na fileira. Cortá-la e enterra-la superficialmente, três meses após a semeadura, quando está em florescimento.

A ervilhaca - Lathyrus sativus, L. é leguminosa adubo verde de inverno, que não prejudica o aspargo porque vegeta quando ele está entrando em dormência. Para multiplicar a ervilhaca, semeá-la em outro local, no espaçamento de 0,60 x 0,40m, deixando duas plantas por cova. Em terra de boa qualidade, pode ser esperada a produção media de 130 gramas de sementes/m2. Cada 100 gramas de ervilhaca contém, em média, 650 sementes.

Cuidado com as mudas

As mudas ou “garras” de um ano são as melhores para a plantação. Se arrancamento é feito cuidadosamente, para não ferir em demasia as raízes, por meio de enxadões; pode-se passar um sulcador no meio das fileiras, para facilitar o arrancamento.

A distribuição do calcário deve ser feita a lanço e pelo menos três meses antes da abertura das valetas.

Nos ferimentos das raízes, poderão penetrar microorganismos que lhes ocasionam a podridão, trazendo, como conseqüência, menor vigor para a planta.

Depois de arrancadas, as “garras” devem ser examinadas, descartando-se aquelas com peso inferior a 50 gramas e com muitas raízes feridas.

No canteiro de semeadura, aparecerão mudas com mais de quatro botões no rizoma, de onde saem as hastes com folhas, e outras fracas, com apenas um botão. Aquelas muito fortes podem ser divididas em duas ou mais mudas, cada qual com, pelo menos, um botão; considerando-se, porém, a dificuldade de divisão da planta e a maior produtividade das mudas fortes, não é conveniente essa divisão. O lavrador deve semear uma área maior para que haja mudas em quantidade superior à necessária, e ele possa, com isso, escolher as melhores na época de plantação.

As mudas ou garras de um ano devem ser plantadas em tempo fresco, no fim do inverno ou no início da primavera, depois de chuvas ou de regas.

O plantio muito antecipado do período de vegetação, o excesso de umidade ou, ao contrário, a falta de umidade e o fator calor após o plantio, são os principais fatores da morte das mudas.

Depois de arrancadas do viveiro, as mudas ou garras devem ser plantadas o quanto antes. Se não for possível plantar logo após o arrancamento, guardá-las em depósitos bem ventilados.

Como o plantio do aspargo é manual, antes da plantação as garras devem ser empilhadas em vários pontos previamente escolhidos, a fim de diminuir o caminho percorrido pela pessoa que executa esse serviço.

Cada plantador pode transportar, em um saco, cerca de 100 mudas as quais são colocadas na valeta, à distância aproximada de 0,40m uma da outra, facilitando o plantio.

A plantação das mudas é realizada sobre “montinhos de terra adubada” erguidos no fundo da valeta, evitando-se que as pontas das raízes se dirijam para cima. Logo após o plantio, cobrir as mudas com uns 6 centímetros da terra amontoada nos lados da valeta. Em seguida, irrigar bem para firmar a terra ao redor das raízes e fazer outras irrigações quando necessário, a fim de favorecer o bom desenvolvimento das raízes e a vegetação da planta.

Após o primeiro ano no local definitivo, encher a valeta com terra até o nível do solo, depois que as plantas estejam com bom desenvolvimento; manter o terreno limpo de ervas más, e irrigar quando houver necessidade.

À entrada do inverno, quando as plantas estiverem amareladas ou secas, cortá-las a cinco centímetros do solo, amontoá-las em outro local e queimá-las.

No segundo ano, continuar os tratos culturais anteriores.

Toda reserva de nutrientes utilizados na produção de turriões é armazenada nas raízes carnosas da planta durante o verão e o outono. Tomar cuidado, portanto, para não cortar nem ferir qualquer raiz de aspargo, pois se isso acontecer, a produção de turriões é reduzida.

Com o calor do início da primavera, as plantas começam a brotação, constroem-se, então, leiras sobre as plantas, utilizando-se terra do espaço entre as valetas. As leiras devem ter cerca de 0,25 m de altura sobre a “coroa”, ou seja, o ponto onde nascem os turriões, a fim de permitir-lhes o corte, sem ferir a “coroa” nem as raízes. Ela precisa ser corrigida cada duas a três semanas porque se desmancha com o corte diário dos turriões, com a rega e com a ação do vento. Em São Paulo, a época de construção de leiras é o princípio de setembro, ocasião de fraca queda pluviométrica, havendo por isso, necessidade de irrigações, antes da construção da leira e durante a colheita dos turriões.

Nesse primeiro ano de colheita, sua duração deve ser de 20 a 30 dias, conforme o vigor da planta no ano anterior.

Depois da colheita, desmancham-se as leiras com cuidado para não ferir as raízes. Adubações complementares devem ser feitas de acordo com o estabelecido no capítulo sobre adubação. As plantas crescem e formam novas reservas alimentares, repetindo-se as demais operações no ano seguinte.

Colheita e Embalagem

A colheita do aspargo consiste no corte dos turriões, que são brancos quando crescem através da espessa camada de terra da leira e, quando não existem as leiras sua cor é verde.

O aspargo branco é mais apreciado no Brasil.

Os turriões podem ser colhidos a mão, mas é mais freqüente e recomendável o uso de uma ferramenta chamada de colhedor deaspargo, que torna a operação mais rápida e sem perigo de ferimentos na planta.

O colhedor de aspargo nada mais é do que uma lâmina de aço com um cabo de madeira. A lâmina mede cerca de trinta centímetros de comprimento e três centímetros de largura, e tem espessura suficiente para dar-lhe firmeza. Sua ponta é um bisel, afiado sempre que necessário, para cortar os brotos abaixo da superfície do solo.

Quando se colhe a mão, recomenda-se descalçar cuidadosamente os brotos, segurar os de bom tamanho e destacá-los com um movimento de torção. Em seguida, colocar de novo a terra retirada.

Nas zonas frescas do Estado de São Paulo, geralmente no mês de setembro, há calor suficiente para a brotação.

A temperatura é que regula o intervalo entre as colheitas. Convém colher sempre pela manhã, diariamente, mas se a temperatura diminuir, somente cada 2 ou 3 dias formam-se brotos para colheita. Se o contrário acontece, isto é, aumentam a temperatura, podem ser feitas duas colheitas por dia, uma de manhã e outra à tarde.

É essencial que os turriões sejam colhidos no ponto, isto é, antes que se abra a ponta para formar as folhas. Além disso, devem ser eretos e lisos. Os brotos muito finos e os tortos devem ser eliminados no campo.

Os colhedores devem colocar os turriões em recipiente semelhantes a cestas, com alças, para transportar, e com tampas, para evitar o sol. Quando essas cestas se enchem, transferir os turriões para outras maiores também com alça e tampa, de capacidade de perto de 25 a 30kg. Esses recipientes maiores são colocados nas extremidades das fileiras de plantas onde deve existir caminho para entrada de veículos que os transportem ao local de embalagem.

Não é recomendável a colheita de turriões no ano da plantação das mudas de aspargo.

No segundo ano, colher durante 20 a 30 dias; no terceiro ano, de 40 a 50 dias; nos demais anos, enquanto o aspargo for vigoroso, colher durante 50 a 70 dias. A duração da colheita dependerá da grossura dos turriões. Se se tornam muito finos, é sinal que as reservas da planta se esgotaram e há necessidade de um período de vegetação com nova adubação.

O número de anos de colheita depende de muitos fatores, tais como: variedade, solo, clima, adubação, tratos culturais. Uma plantação em boas condições agronômicas poderá dar, em média 10 colheitas durante 11 anos, pois não se colhe no ano da plantação.

Embalagem

No local de embalagem, os turriões são lavados e, depois, aparados para ficar com o mesmo cumprimento, cerca de 20 a 25cm a contar da ponta. Existem em outros países diversos tipos de aparelhos que facilitam essa operação, bem como o preparo de maços de turriões.

Entre nós e para o mercado local costuma-se separar os turriões em dois ou três tipos, de acordo com a sua grossura, e depois amarrá-los nas duas extremidades em forma de maços. Estes poderão ter peso certo, por exemplo: 500, 1.000 ou 1.500 gramas. Usa-se, para amarrar, barbante, fita, ráfia, elásticos de borracha, tiras de folhas de palmeiras, etc. Se os turriões murcharem um pouco e o amarrilho ficar frouxo, é só mergulhar a base cortada em uma vasilha com água para voltar ao normal.

Para despachos, nos Estados Unidos, os maços são embrulhados em papel impermeável, tendo a base apoiada em material absorvente; são molhados ligeiramente e, em seguida, encaixotados. Também podem ser encaixotados a granel, sendo a caixa formada com papel impermeável e a base dos brotos apoiados em estopa úmida.

Nas plantações pequena e média da Califórnia-EUA, o turrião é levado aos ranchos localizados nas plantações, depois aparados para ficar com o mesmo comprimento, encaixotando e enviando o mais breve possível para as fábricas. Nas grandes plantações dos Estados Unidos, os turriões são encaixotados após a colheita e levados por caminhões para prédios com instalações próprias, onde são aparados por máquinas, a um comprimento de cerca de 17cm, e lavados com água borrifada sob pressão. São de novo encaixotados e enviados às fábricas para classificação e enlatamento.

Importantes transformações ocorrem no aspargo fresco durante o período que vai da colheita até o seu preparo culinário.

Na temperatura ambiente perde umidade e açúcares rapidamente. Essas transformações são tanto mais lentas quanto mais próximo de OºC, e, mesmo armazenado nessa temperatura ideal, perde suas qualidades, por isso, deve ser remetido ao consumidor ou à fábrica para enlatamento o mais breve possível.

Quando não se dispõe de refrigeração para os turriões, deve-se evitar o sol, lavá-los em água fresca, embalá-los convenientemente e remetê-los ao mercado quanto antes.

Pragas e Moléstias

Pode ser atacado por larvas da mosca-do-aspargo, da mariposa Hypopta caestrum e pelo verme-de-maio. As doenças são causadas por fungos do gênero Rhizoctonia e Fusarium.

Fonte: www.criareplantar.com.br

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Almeirão de Folha Fina - Chicoria - Cichorium intybus

Cichorium intybus

  • Nome Científico: Cichorium intybus
  • Nomes Populares: Almeirão, Almeirão de folha fina, Almeirão-de-raiz, Almeirão-selvagem, Almeirão-silvestre, Chicória, Chicória-amarga, Chicoria-brava, Chicória-do-café, Radice-selvagem, Radiche
  • Família: Asteraceae
  • Clima: Continental, Mediterrâneo, Oceânico, Subtropical, Temperado, Tropical
  • Origem: África, Ásia, Europa
  • Altura: 0.9 a 1.2 metros
  • Luminosidade: Sol Pleno
  • Ciclo de Vida: Perene

O almeirão é uma planta herbácea de seiva leitosa, cultivada como hortaliça e que também é comumente chamada de chicória.

Deve ser cultivado sob sol pleno, em solo fértil, bem drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Tolera o frio e o calor. O solo deve estar bem preparado na ocasião do plantio. Os canteiros devem ser calados, adubados e elevados cerca de 15 cm nas variedades “de folha” e 22 cm nas variedades “de raiz”.

Não necessita a preparação de mudas em bandejas. Multiplica-se por sementes diretamente no local definitivo. O desbaste deve ser realizado quando as plantas atingirem 10 cm, deixando uma planta a cada 15 cm. A colheita inicia-se em 80 dias no verão e 100 dias no inverno. Apesar de perene é cultivada como anual.

Apresenta folhas alongadas, largas ou estreitas, mais ou menos pubescentes, de coloração verde ou arroxeada de acordo com a variedade. Sua raiz é tuberosa, pivotante e armazena grandes quantidades do carboidrato inulina, de importantes aplicações na indústria farmacêutica e de alimentos dietéticos. As inflorescências em capítulo, azuis ou arroxeadas, surgem de uma longa haste ramificada, com folhas reduzidas.

Com as folhas do almeirão podem ser preparadas ricas saladas cruas, e saborosos refogados, acompanhando legumes, cereais ou carnes. Seu sabor é amargo e seu valor nutricional é superior à alface, sendo mais rico em vitaminas, minerais e fibras. As raízes prestam-se para a extração industrial de inulina; e para a produção de um substituto do café, após sofrerem secagem, torrefação e moagem. As flores do almeirão também são comestíveis e podem adornar saladas com efeito surpreendente. É plantado para fins ornamentais, principalmente na Europa, devido às belas flores, que acrescentam um efeito campestre em maciços ou em conjuntos com outras flores.

fonte: jardineiro.net